
Dr. Jorge Boucinhas - médico e professor da UFRN
O autor destas linhas considera que o assunto de hoje, a Biomodulação Corporal, uma das técnicas que mais estão revolucionando a Medicina Estética, é um assunto relacionado à beleza física dos mais importantes dos tempos que correm. Trata-se de procedimento que foi desenvolvido no Brasil com o objetivo de melhorar o tamanho, a forma e a harmonia do corpo. Tem por base a Bioplastia, o já bem conhecido método de aplicação de preenchedores biocompatíveis (que não reagem com o corpo humano) com o fito de eliminar rugas e modelar contornos faciais.
Feita em consultório, necessitando apenas anestesia local, repõe e aumenta o volume de segmentos corporais, restaura a harmonia da silhueta, além de corrigir defeitos congênitos e/ou adquiridos. Consegue-se isto aplicando um tratamento individualizado para cada pessoa e cada região do corpo, indo-se além de tão somente refazer contornos e dimensões, pois visa ainda melhora a qualidade muscular e até a pele envelhecida (especialmente notada pela perda da elasticidade, bem como pelo seu aspecto desidratado). O procedimento é facilmente realizado, com anestesia local, sem pós operatório complicado, e o paciente pode acompanhar ativamente todo o procedimento, inclusive opinando quanto aos formatos obtidos.
Nela, associa-se o implante de biomateriais a outras técnicas, quais aplicação de fios de auto-sustentação (os assim denominados Fios Russos, Fios Búlgaros, Fios Franceses e Fios de Ouro), Mesoterapia, Lipoplastia, Eletroestética e Peelings, todos combinados pelo médico de acordo com o objetivo do paciente. Dando-se um exemplo, no caso de se aspirar a um abdômen “tanquinho” é feita uma redução da gordura regional através do emprego de um dos diversos métodos modernos (como a bem sucedida Ultracavitação, que permite retirar a gordura localizada sem o recurso à Lipoaspiração), põe-se o PMMA (polimetilmetacrilato) e depois também podem ser colocados fios de sustentação para levantar o umbigo e obter um “desenho” adequado.
O metacrilato é considerado de eleição, apesar de ter perdido muito espaço em aplicações no rosto, porque segue sendo o preenchedor mais adequado para aplicações profundas, as dentro de músculos e logo acima dos ossos.
Com o uso judicioso da Biomodulação Corporal pode-se aumentar não só o bumbum (os glúteos) como os músculos que dão aspecto viril de “ser forte” (como os bíceps, os tríceps e os peitorais), bem como deixar bem patentes os músculos das panturrilhas. Este desideratum pode ser alcançado, por exemplo, pela aplicação da Bioplastia de aumento muscular secundada pelo emprego das Correntes Russas.
O grande diferencial em relação à Bioplastia isolada, é que, apesar de ser uma técnica definitiva, os médicos recomendam que os pacientes continuem cuidando da saúde e praticando exercícios físicos para prolongar os resultados. Afinal, a beleza exige cuidados contínuos.
Existem muitas indicações de aplicação da Bioplastia nos glúteos, como formato achatado, nádegas pequenas e desarmonia corporal, dentre outros. A depressão trocantérica (o “buraco” na lateral do bumbum) é um aspecto que fica feio em um glúteo feminino, podendo ser facilmente preenchido com a utilização do PMMA, tornando-o mais feminino e arredondado. A remodelação dos glúteos é conseguida basicamente com a injeção de PMMA (polimetilmetacrilato), a qual pode aumentar e até mesmo “empinar” o bumbum. O procedimento é rápido, permitindo que o paciente volte às suas atividades físicas em poucos dias. A quantidade de material aplicado varia conforme indicação: para grandes quantidades realiza-se o procedimento em etapas escalonadas, uma quantidade razoável para primeira aplicação sendo de 50 a 100ml por lado, distribuídos conforme a forma almejada e a estrutura da parte corporal tratada.
O aumento dos músculos peitorais pode ser realizado com a aplicação intramuscular do mesmo PMMA citado para o aumento dos glúteos, aumento do bíceps, aumento da panturrilha, dentre diversos locais de possível aplicação. Indica-se-o em casos de hipotrofia do músculo peitoral (hipodesenvolvimento do mesmo), na Síndrome de Poland (em que há falta congênita do músculo), em casos de assimetria entre os lados direito e esquerdo do tórax e em pessoas com desproporção muscular que não conseguem recuperar-se mesmo com musculação praticada intensivamente.